quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Quero-Te

Olho-me, toco-me com suavidade, sei que falta algo, destapo a minha barriga tão lisa e sei que te vou querer como nunca mal me aperceba que nunca estiveste dentro de mim.
Serias tudo, serias raiva, desespero, amor inconfundível, promessas fingidas, o descobrir de tanto que não saberia concerteza explicar.
Serias pois o símbolo não só dos erros que cometi (foram tantos), que não voltaria a cometer, aqueles que não conseguiria nunca remediar e os que me ajudaram a crescer(nem todos... muitos transportaram-me consigo numa viagem sem volta).
Serias o meu tudo, o meu qualquer coisa, o meu coisa nenhuma, serias infeliz e feliz, inexplicavelmente triste – como também eu o sou. Serias confidente, talvez mais um estranho que veria todos os dias, talvez um conhecido que veria duas ou três vezes na vida, antes de te levarem de mim.
Sentirias também tu a enorme falta de algo, sem saber porquê – Provavelmente sentirias a minha falta, tão longe andaria eu de ti. Tão estupidamente perto e longe.
Serias tanto, serias algo tão insignificante, serias algo tão efémero e tão forte na minha vida. Serias talvez aquele objectivo que nunca encontrei, um motivo para viver, a minha ruína e a minha benção. Serias meu, concebido dentro de mim, por mim – E por mais alguém a quem quero muito, mas que não o sabe. Que não sei se quero. Será que sempre soubémos o que queríamos? Talvez um dia o saibamos, talvez... Não.
Serias, como diria também alguém meu conhecido, “um pequena parcela de mim a andar por aí”, serias um prolongamento de mim e eu, subitamente tão criança, refugiar-me-ia em ti.
Serias o que quisesses ser, não serás nada porque te destruí, porque me assustaste desde o primeiro segundo, por te adorar tanto, por pensar primeiro em ti, por saber que mereces melhor, sei que terás melhor em algum outro lado, noutra vida. Ainda não te mereço, sinto a tua falta e sim, sei que te quero como nunca.

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