terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um Amor Impossível

Quero esse amor impossível, intenso, apaixonante, suicida, louco, jack-nicholson-voando-sobre-um-ninho-de-cucos-iano, um amor que não dá tempo para respirar, frágil, escorregadio, macio e suave como seda...
Quero-o temporal, com prazo de validade e impróprio para consumo, quero-o fresco e fofo mas sobretudo para consumir de preferência nos próximos 15 dias - Com muita, muita urgência.
Quero esse amor em doses pequenas, afogueantes, miniaturas amostrais. Quero-o só uma colherzinha de cada vez, uma cheiradela, um toque, à experiência, um menu de degustação de edição limitada.
Quero esse amor só para mim, aliás quero esse amor só para nós, e quero-o já, mas quero-o de pouca duração e se puder ser até que gostava de guardar uma recordação - Porque a verdade é que sabe sempre bem ter algo para relembrar - Deixa-me uma frase simbólica, cliché e envergonhada, deixa-me isso antes de ires e desapareceres do meu facebook, do meu radar de visão, do sinal do meu gps, e nunca te esqueças que este amor nunca poderia ser nem mais nem menos que impossível.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Tua

Não sou tua. Já não sou tua há muito tempo. Tenho a minha vida, os meus desejos, as minhas necessidades, e estou dependente de mim mesma - Não de ti, nunca mais de ti.
Eu estou acima de tudo o resto - Sou minha e sou responsável pelas decisões que tomo. E se a decisão tivesse sido tu, sei que seria responsável por ela também. Mas não seria responsável por ti. Nunca seria responsável por ti.
Não preciso de ti para ser feliz - Já to disse, alguma vez? Provavelmente.
Não escrevo para ti. Já não escrevo nada para ti há tanto tempo. E tu não sabes, pois não?
Achas que ainda vives na minha vida, nos  meus pensamentos, nas minhas tristezas e na minha solidão, mas não vives - Já te foste embora, e porque é que eu havia de olhar para trás? 
Porque é que eu havia de continuar a fazer tudo bem, se tu não o fizeste?
Porque é que eu continuaria a sonhar com algo que já não faz sentido há tanto tempo? Sim, tenho sonhos - Tenho sonhos de todas as cores e feitios. Nenhum deles contigo. 
Tive uma vida que não conheces. Tive paixões que nunca chegaste a entender, outras que nunca chegaste  mesmo a saber que existiram. Mas eu, eu sou tudo isso. Eu, existo em tudo o que vivi, em tudo a que sobrevivi e em tudo o que vier a seguir. Posso ter errado muito mas aprendi muito, muito mais. E agora o meu passado bateu-me à porta mas tu não sabes, tu não vês. Agora, vou conseguir continuar a ser eu e a ser feliz porque eu sou minha, sou mesmo minha, serei sempre minha e a verdade é que tua não serei nunca mais...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Reminiscing

Hoje sei exactamente o que quero. Tenho quase a certeza que sei o que quero. Hoje queria-te aqui comigo. Queria aconchegar-me junto a ti, ver o filme que acabámos por nunca ver, dizer-te o que nunca cheguei a dizer. Hoje só queria mesmo estar, sem pensar em mais nada, sem pensar que não vai dar – Nem que desta vez corresse tudo bem e o timing fosse o certo, finalmente, não vai dar. Hoje quero esquecer que estou bem sozinha e que não preciso de ti para ser feliz, que nunca precisei de ti para ser feliz. Hoje quero esquecer-me que me magoaste, e que me prometeste coisas que não podias cumprir. Hoje quero deixar-me estar e não pensar no que não devo, no que não posso, no que preciso, no que é melhor ou pior para mim; Hoje não quero longos prazos, longas distâncias, longas mágoas, longas conversas e discussões silenciosas, hoje quero só ver-te, cheirar-te, relembrar tudo o que tivemos ou o que não tivemos e ficar, ficar assim. Hoje quero querer o que eu quiser – E pronto!
E tu, pelo menos hoje, será que sabes o que queres?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não me peças nada

Não quero, não posso. Não me peças isso, não me peças nada. Não me prometas nada – mesmo que saibas que podes cumprir. Não me mintas e não me enganes – A não ser que eu te peça por favor (E é provável que to peça) – Então aí sim, mente-me, engana-me, ilude-me.
Então aí deixa que sinta tudo o que devia sentir, deixa-me ter a certeza que ainda existe alguém capaz de me fazer sentir algo mais para além de saudades, desespero, para além de arrependimento, para além de mágoa e simplesmente, amor. Um amor estranho, um amor que acaba por não ser amor, porque havia de ser, se não traz nada de bom? Um amor dependente, um amor doentio, um amor que estraga e destrói. Um amor só meu.
Mas não me trates bem, não me trates como eu mereço, não me respeites, não me mimes, não me abraces e por favor não estejas para mim se eu precisar. Eu não quero precisar de ti.
Não me faças pensar que poderás ser algo mais. Não me faças pensar para além do agora, do aqui, do presente. Não me faças pensar. Não me faças sentir, porque já não sei se consigo, porque já não sei se quero. Posso tentar. Mas não me peças isso.
Por favor - E se é que to posso pedir!... A mim, não me peças nada.

domingo, 22 de agosto de 2010

Já não era sem tempo...

É tempo. Tempo de queimar papéis, deitar chaves fora e oferecer a quem quiser. Tempo de arrancar raízes, empacotar, desmanchar as peças. 
É tempo de apagar mensagens, números e históricos, eliminar items permanentemente. Tempo  de doar para a caridade e reciclar. Esquecer os segredo e curar para sempre as mágoas.
É tempo de alisar o terreno, tapar os buracos, retocar, pintar de branco para o próximo que vier. Para o próximo que quiser chaves, raízes, históricos. Para quem quiser, conseguir! ser feliz assim!
É tempo de começar de novo, pouco a pouco. De voltar a aprender, a sonhar, De voltar a viver. 

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quoting

"Passion is the source of our finest moments: The joy of love, the clarity of hatred, and the ecstasy of grief. 
Passion. 
It lies in all of us. Sleeping, waiting, and although unwanted, unbidden, it will stir, open its jaws and howl. It speaks to us, guides us. 
Passion rules us all. And we obey. What other choice do we have?
If we could live without passion, maybe we'd know some kind of peace. 
But we would be hollow. 
Empty rooms, shuttered and dank. 
Without passion, we'd be truly dead."

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quando não és tu...

Magoas-me. Magoas-me sempre que não és tu. E eu amo-te, amo-te a ti. Mais do que imaginas, mais ainda do que te mostro - E eu tento sempre mostrar-te tanta coisa...
Quando não és tu, odeio-te. Com a força de mil ódios dispersos, lúgubres, detestáveis, odeio-te porque quando não és tu, nunca sei quando vais voltar para mim.
Quando não és tu, mais vale estar sozinha, mais vale viver a minha vida sem olhar para trás, quando não és tu pergunto-me... Pergunto-me se valerá a pena, se conseguiria afastar-me de ti quando não és tu, mas e depois?
Quando és tu quero abraçar-te, cuidar de ti, dizer que vai correr tudo bem. Quero aninhar-me em ti e deixar as horas passar. Quando és tu, é tudo simples e fácil e fazes-me a pessoa mais feliz do mundo. E quero dar-te tudo, e quero ser para ti o melhor que conseguir ser. Quando és tu, esqueço-me sempre que podes deixar de o ser a qualquer momento, e entrego-me, e dou-me, e anseio por mais e mais e mais.
Quando não és tu, dói-me. Quando não és tu, tenho medo de falar, de gritar, de chorar, porque não te conheço. Onde foste? Volta! Por favor, volta! Quando não és tu, não és mesmo tu - E tenho tantas saudades tuas...
Preciso de ti - Não de ti quando não és tu, mas de ti quando me amas e cuidas de mim e não me queres deixar fugir porque já não sabes ser, sem mim. Não sabes ser tu.
Então vem ter comigo, podemos fugir os dois, juntos, podemos fugir e deixar para sempre esse tu que não és tu e que nunca poderá destruir-nos a nós que somos nós, que somos tanto, que somos tudo...

Divagando - Solidão

Quando nos habituamos a estar sozinhos, as coisas tornam-se mais simples. Mais seguras. Aprendemos a tomar conta de nós, a esperar de nós o que sabemos ser capazes de alcançar e talvez até mais um pouco que com esforço pode ser possível, não certo; Aprendemos a viver com os erros que cometemos e que nos prejudicam, reconhecemos culpa e responsabilidade pelos nossos actos. Quando estamos sozinhos podemos nunca nos desculpar totalmente, mas vamos sempre lembrar-nos de como estivemos mal e como causámos situações mais ou menos reversíveis. Mea culpa. Ponto final.
Mas quando não estamos sozinhos, tudo se torna mais complexo. Quando não estamos sozinhos tornamo-nos vulneráveis e encontramo-nos na situação perigosa de magoar e sermos magoados. E já não somos só nós que sofremos, já não somos só nós que sentimos. Quando não estamos sozinhos, esperamos mais e queremos mais, porque achamos que já podemos contar com alguém para dividir as coisas más, as coisas boas...
Mas por vezes esquecemo-nos também, que se estivermos dependentes de outra pessoa para sermos felizes, esse é um risco muito grande. Até que ponto vale a pena arriscarmos a nossa felicidade em prol de outro?
Até que ponto devemos abdicar da nossa capacidade de sermos felizes, por nós, por quem somos, pelo que fazemos e pelas experiências que vivemos como indivíduos e não como parte de alguma associação com outrem? Porque é que havemos de deixar que outra pessoa decida e controle os nossos humores, as nossas disposições, o nosso sono, a nossa saúde, as nossas lágrimas? Porque é que deixaríamos de ter o controle total sobre isso?
Resposta: Ainda por descobrir...

domingo, 25 de outubro de 2009

Talvez um dia

Talvez um dia consigas ouvir por fim tudo o que eu tento não te dizer; Talvez um dia entendas quem eu sou e o porquê de querer tanto ser feliz. Talvez um dia não seja preciso falar e o silêncio por magia se torne mais leve, mais confortável, mais doce. Talvez um dia percebas que sou muito mais forte do julgas; Mas que sinto bem mais do que mostro; E que quando mostro, é só porque estive demasiado tempo a sentir demais...
Talvez um dia me vejas;
Talvez nesse dia, eu já não esteja por aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Só porque...

Só porque às vezes apetece, apetece qualquer coisa e não sabemos bem o quê; Não queremos ser paranóicos e dizer que está tudo contra nós, porque no fundo não está; Não queremos ser dramáticos e dizer que está tudo errado porque no fundo sabemos que não está.
Há sempre qualquer coisinha que está bem, há sempre algo que podia ser pior; Mas, às vezes são só mesmo umas coisinhas, e às vezes são tão pequenas que para as vermos precisamos assim de um daqueles telescópios que aumente 100x e para isso chegamos a precisar de um amigo que chegue, se coloque ao nosso lado, ponha a mão no nosso ombro e diga "vês, está ali, estás a ver aquele pontinho?" e nós dizemos "aaah". E muitas vezes nem estamos a ver bem o que é. Só dizemos esse tal "aaah" para não mandarmos uma belinha ao amigo e o mandarmos passear.
Só porque às vezes, apetece ser pessimista; Só porque às vezes apetece mesmo deitar tudo para o chão por uma vez e não ir a correr limpar, arrumar, aspirar; Só porque às vezes parece-nos que ganhámos o direito de não estar bem, de gritar, de berrar, de partir, de estragar, de irritar, de chorar, como queques, bolas de berlim, e madalenas arrependidas... Só porque às vezes apetece mudar de personalidade e mandar tudo às urtigas e sermos quem não somos...
Só porque, às vezes, custa mesmo muito. Só porque sim.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sobre desistir...

Certas palavras têm o seu próprio significado: Desistir é uma delas.
Como princípio, tem uma má conotação: Se desistes, tornas-te um perdedor. Simples, óbvio – Mas será mesmo assim? Desistir nunca é fácil. Mas não será mais fácil desistir que continuar a insistir, sabendo o que o que estará para vir, se não o fizermos?
Defendo activamente que desistir será, sempre o mais fácil – Mas reconheço, pois, limitações a esta teoria: Não será antes um sinal de uma enorme inteligência, caso já todas as hipóteses tenham sido esgotadas? Aí sim, olho com grande admiração para quem o consegue fazer... Isto porque se vai tornando mais e mais difícil desistir à medida que se tenta tanto, que há tanto esforço, tanta emoção, por vezes tanto dinheiro ou simplesmente tanto súor envolvidos...
Para mim, é preciso muito para desistir de algo. E chega a estar entre os verbos mais extremos com que a Língua Portuguesa nos agraciou! (Juntamente com amar, ou odiar, sentimentalismos aparte)
Por isso, para que seja considerado digno desistir há que tentar ao máximo primeiro, não o fazer. Não o querer fazer – Por nada, por ninguém. E no que toca a esse máximo, quem o define seremos sempre nós. Mais ninguém.

sábado, 11 de julho de 2009

"Passion"

Normalmente, as maiores paixões são as que acabam por não ser concretizadas. As que lembramos com saudade, as que resistem à passagem do tempo, as que nos fazem pensar que a possibilidade de verdadeira felicidade está muito mais próxima do que achámos à partida... São aquelas baseadas em expectativas quase imperceptíveis, em "talvez"s.
Aquele beijo de despedida que podia ter sido algo mais, aquele rapaz com quem flertámos dias a fio mas cujo nome acabámos por não descobrir, aquele abraço que podia ter levado a inúmeras carícias em silêncio, a noite a avançar enquanto dois corpos moldam, se perdem, se habituam... Aquele café de aeroporto que podia ter significado muito mais do que nos atrevemos sequer a imaginar.
As maiores paixões não sobrevivem às discussões mesquinhas do dia-a-dia, aos humores matinais, às parvoíces insignificantes, ao magoar propositadamente, aos momentos mortos, às decisões e escolhas limitativas. Não sobrevivem à realidade que acaba por se sobrepôr a qualquer outra alternativa (tão mais convidativa!).
As maiores paixões são utópicas, são puras, são flawless, irreais. Logo morrem, infectam. Auto-destroem-se.

E se, quando estávamos prestes a desistir, alguém chegasse para nos provar que essas grandes paixões... Sobrevivem...?
Talvez nos limitemos a desejar, a esperar, com todas as nossas forças, que uma paixão assim tão exageradamente ideal, certa, firme, completa, acabe por desfalecer, de preferência, por si só... Porque sinceramente, quem é que está preparado para viver a vida assim tão intensamente?

domingo, 21 de junho de 2009

Fácil?

Por vezes é mais fácil fugir do que enfrentar o que deve ser enfrentado; É mais fácil chorar do que passar à frente; É mais fácil pôr a culpa noutro sítio e esperar que niguém repare;
Mas por vezes, é só necessário. Por vezes, tem mesmo de ser. Por vezes, estamos tão desiludidos, tão desmembrados, tão saturados, tão tristes, tão cansados... Que nada mais resulta. E por vezes, quem importa somos nós.
Não perdôo quem não me quer conhecer, não perdôo quem toma partidos; Não perdôo quem não me respeita; Não perdôo quem duvida de mim. Não perdôo realmente ninguém, porque primeiro venho eu. E afinal, se eu não me perdoar a mim própria, de que serve o resto?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um dia faço-te feliz

A vida apanhou-nos de surpresa, trocou-nos os planos - A nós, que tínhamos a certeza de tudo - Troçou de nós, pôs-nos à prova, e nós... Passámos no teste.
(Um dia fugimos os dois.
Um dia, fazemos uma road trip
e conhecemos juntos coisas grandiosas.

E prometo, um dia faço-te feliz.
)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

É difícil (Possibilidades)

Fotografia por João Coimbra,
É difícil.
Vergar com o vento, deixarmo-nos levar pela corrente, quando somos tão firmes, quando estamos tão seguros.
Darmos a mão, partilhar o corpo, partilhar a mente, o coração, a alma. Quando estamos tão habituados a estar sós.
É difícil ouvir verdades que não queremos ouvir, é difícil perdoar. É difícil pedir desculpa. Quando errámos. Quando nos magoaram muito. Quando não nos pediram desculpa. Quando, no fundo, não o merecem.
É difícil seguir em frente se tudo o que fazemos é olhar para trás, viver e reviver os erros, os momentos felizes, com medo de olhar para trás e ter de repetir tudo de novo. Como se nada fosse. Como se tudo, nunca tivesse significado nada.
É difícil sorrir sem razões, tentar tornar tudo melhor quando nada de bom espreita, quando nada de bom sucede, quando nada de bom anima e nada de bom ajuda a levantar, a passar por cima, a ser feliz.
É difícil ver as coisas de uma maneira diferente quando temos a certeza de estarmos sempre tão certos. Bem. Razoáveis. Sábios, com estes nossos vinte anos. Parecem trinta, quarenta até. Quando sabemos que nada vai poder alterar os nossos valores, o nosso código de ética, a nossa maneira de ser.
Mas acima de tudo: É difícil, muito difícil, mudar.
Mudar de opinião, mudar de lado, mudar de roupa, de casa, de família, de penteado, de mobília, mudar de namorado, mudar de orgulhosa para compreensiva, de triste para alegre, de exaltada para calma, de locutora para ouvinte. Mudar de amigos.
Nada disto é fácil. Mas é possível. Está ao nosso alcance, não é impossível. Tenho a certeza absoluta (Nem que seja só porque tenho de ter).
Mas temos de querer. Temos de perceber que não vai ser da noite para o dia, vai demorar tempo, vai custar oceanos, marés, enchentes de emoções, vai doer, vai deixar marcas...
Mas sinceramente, qual é a piada de ficarmos sempre no mesmo sítio, estagnar, não evoluir, manter, monotonia, cacofonia, estereofonia, telefonia,idiossincracia.........
Porque é que temos assim tanto medo?
Já pensaram bem nisto?
Mudar, é humano...

domingo, 20 de maio de 2007

Quando os nossos corpos se separaram, por José Luís Peixoto

"quando os nossos corpos se separaram
olhámo-nos quase a desejar ser felizes.
vesti-me devagar, mas o corpo a ser ridículo.
disse espero que encontres um homem
que te ame, e ambos baixámos o olhar por sabermos
que esse homem não existe.
despedimo-nos.
tu ficaste para sempre deitada na cama e nua,
eu saí para sempre
na noite. olhámo-nos pela última vez
e despedimo-nos sem sequer nos conhecermos."
Fotografia de joana saraiva, fuga

domingo, 13 de maio de 2007

Não adormeças, por Maria do Rosário Pedreira

Fotografia por Nuno Manuel Baptista, «untitled»
Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já.
Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes
que ainda hoje te mordem os gestos e as palavras.


(...) Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que,
se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Habituações

Vai-me empurrando neste baloiço de ferro, vigia-me de soslaio, fica perto de mim, prende-me, não me deixes gingar uma vez mais, segura-me com força. Dá-me a tua mão, não me soltes já... Deixa-me ficar só mais um bocadinho...
Admito!, tenho medo que quando me soltares, estas correntes se quebrem, que será de mim depois? Sorris e dizes que basta voltar a levantar-me... Eu sei, eu tenho quase a certeza que sei... (Quase que acredito!), mas não me soltes já... Vou sentindos os grilhões, ásperos, nas palmas das minhas mãos, dão-me segurança, contrastam com o calor da minha pele (da tua). Sinto o vento na minha face, sinto-me liberta. E ainda assim, quero tanto trocar este aço que me controla e me condiciona e me guia (mais que eu gostaria), pelos teus dedos a brincar com os meus...
Deixa que me habitue aos nossos gritos, aos nossos silêncios, ao meu olhar que brilha quando penso o que tenho sempre tanto medo de dizer... Deixa que me habitue a ti, a este nós, a este fado que nos envolve, que troça de nós, tão ironicamente impotentes perante o que vai surgindo à nossa volta....
Deixa que (um dia) te diga tudo o que não consigo dizer e que te abrace como se o amanha não viesse e tivéssemos todo o tempo do mundo. Deixa que sorria e te olhe mais uma vez mais enquanto penso para mim o quanto gosto de ti.
Habitua-te a mim Apesar de sabermos ambos que sim, vais ter de me largar um dia de qualquer maneira mas, e então? Pode ser que baloice de volta para ti... Para que me continues a empurrar, a largar, a empurrar de novo...Pode ser que caia... Me levante e me afaste....

Pode ser que a algum momento sejas tu o que resolve simplesmente parar de empurrar! Mas uma coisa é certa....
De quanto não terão valido esses momentos com a minha cabeça no teu peito e os teus braços à minha volta....?

quinta-feira, 19 de abril de 2007

...

Fotografia por glover barreto, «sonhadora»
Nunca cheguei a achar que sabia alguma coisa, mas agora já não sei o que sei... Confundes-me, deixas-me à deriva... Acho que havia um lado de mim que queria confiar em ti (que talvez tenha chegado a confiar, por momentos apenas). Quase inexistente, acho eu. Mas estava lá. Já não. Pensar, é inevitável. Mas os meus pensamentos mudaram e (com ou sem intenção) já não te vejo da mesma forma. Gosto de ti, mas isso não implica que me cegues ou me iludas ou que esteja dependente de ti. Contigo, não é isso que sinto (e felizmente!)...
Tu também te contradizes. Não me voltes a dizer que vais estar lá (não to pedi) para mais tarde dizeres que és uma pessoa inconstante. E, será que és? ou gostavas de ser? Ou será que quando disseste que "vou lá estar para te apoiar", não acreditavas em pleno no que farias mais tarde?
Não me iludas com promessas vãs.

domingo, 15 de abril de 2007

Divagações...


Fotografia por Lizenor Dias de Carvalho Junior, « cadeado do tempo»
Apeteceu-me escrever... Sobre o quê, não sei ao certo, embora - Verdade seja dita! - ao teres sido maioritariamente tu a ocupar-me a cabeça nos últimos tempos, não haja grande escolha, não é verdade?
Mas o que é engraçado é - longe de tomar-te como certo! - cada vez penso menos neste "nós", menos assustada me sinto com a ideia - mas mais me irrita o não ter sido sempre totalmente sincera contigo, desde que te conheci. Desculpa. Se eu disser que faz parte da minha natureza não é verdade, pelo menos dizem que as crianças têm aquele dom da sinceridae, eu decerto também o terei tido, mas infelizmente (?) cresci e apercebi-me que nem tudo é tão linear quanto isso. Por vezes pergunto-me se cheguei a ser tão criança quanto isso... Não me recordo.
Devo dizer que essa falta de sinceridade, seja ou não uma coisa má, é algo que me incomoda já há muito tempo, mas só tu me fizeste perceber que a possibilidade de mudar está muito mais tangível que o que poderia parecer à primeira vista (ou segunda, ou terceira...)... Mas nem por isso se torna mais fácil.
O que te tentei explicar é que por vezes nem eu sei se estou a ser sincera, se estou a ser Eu, talvez não acredites!, mas não me conheço tão bem quanto isso. Estive tão empenhada ao longo de todo este tempo a construir toda uma pessoa diferente de mim... Que se torna complicado distingui-las... (A tal "esquizofrenia"...) Tudo isto foi escolha minha, e estive mais ou menos confortável até tu apareceres. E me mostrares que podia estar melhor. A questão é... Será que consigo? Será que não é demasiado arriscado? Será que não estarei de novo a fazer a escolha errada?
Não sei...
Jã não sei nada e a vida não vem com um manual de instruções, já sei que não posso planear, calcular, mas não podia sequer prever um bocadinho disto tudo? Só queria ter tido uma pistazinha... Para me poder ter "preparado" melhor para a tua presença (algo drástico, não achas? Enfim...). Para não me apanhares assim tanto de surpresa.
Não sei como terminar isto, não me ocorre nenhuma frase pomposa, nenhuma citação deveras «cliché» como (se formos BEM a ver) são tantas as coisas que dizemos ou fazemos (não vou referir sequer um determinado dueto ao pé do casal simpatico no centro comercial...).
Por hoje, é tudo. Tudo o que consigo escrever. Sinceridade? Em absoluto... Acredites ou não! Pelo menos, deixa-me a mim acreditar nisso...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Um Dia

"Houve um dia o desejo - Um olhar, um sentir
Como o teu primeiro beijo
Que me impede de fugir daquele momento
Único no tempo e eu sei bem, eu sei bem...
Houve um dia alguém - Alguém que me fez ver
Que para se amar também para isso há que saber
Houve um dia uma voz que no seu tom fez esquecer
Um passado tão atroz, tão longe está já sem se ver
E essas palavras que saem dentro de mim
Não escondem nem mentem
Quando falo de ti, de ti..." Um Dia, Pólo Norte
Fotografia por Sandra Brito, «the light on me...»
Corre-me das paredes, do tecto, do chão do meu quarto! Empurra-me para fora dessa tua vida, vem tu também para me apanhares enquanto desfaleço, adormecida. (Para poder por fim acordar nos teus braços...) E diz-me o que queres de mim. Diz-mo com gestos, com beijos, com carícias. Não o digas com palavras, nem mo sussurres... Sorri. Lembra-te sempre que se um dia me disseres que vai correr tudo bem eu vou acreditar em ti. Se deixares, vou guardar os meus segredos para mim... E se não deixares... Eu não sei o que serei sem os meus segredos! Talvez não seja nada... Tenho medo ne não ser nada sem esta minha armadura de espinhos...

terça-feira, 27 de março de 2007

Indiferença

Fotografia por ®gonçalves, «chose one»
Indiferente... É algo que não faz exactamente parte da minha pessoa... Talvez da que eu gostava tão em demasia de ser. Mas é muito raro conseguir. Mostrar? Iludir? Talvez. Agora, a ti, já nem isso. Ainda tento, inexplicavelmente...
Indiferente...
Como explicar o aperto no estômago que senti hoje de manhã, ou a total ausência de atenção para o que quer que seja, ou as reviravoltas que a minha mente não deu para o futuro, para o passado, para o presente, o que decidi e o que não decidi, o que seria melhor e pior... Como reagir? Perguntei-me a mim própria. Respondo, não sei... Ao começarmos tudo isto a única certeza que tivemos terá sido quase sempre a ausência de certezas... E como isso soube (tem sabido!)bem... Mesmo do lado mais masoquista da coisa...
Tenho me dado conta de muita coisa em relação a esta nossa primeira pessoa do plural, ultimamente... (Tal como tu, provavelmente) Mas assusta-me muito saber que sei, admiti-lo assim sem grandes reservas, sem máscaras, ironias, brincadeiras... Temos algo, apesar de não o querermos dizer com palavras já predefinidas, no fundo achamo-nos tão especiais que temos direito este «algo» só nosso:P
Indiferente?
Nunca o foste para mim, talvez por isso não o consiga ser na totalidade em relação a ti, neste momento, ou provavelmente em qualquer um, por muito que quisesse. E queria, quero ainda, quis hoje sê-lo e tentei - Fracasso total, já se vê. Queria conseguir tratar-te de maneira diferente, queria afastar-te agora e não me magoar nem a ti com tudo isso. Mas para quê, porquê? O mal (ou o bem... Quem sabe) já está feito... Já fui gostando de ti, habituando-me à tua presença de várias maneiras, na minha vida, em que entraste sem avisar! Quer goste de todas estas lamchices e da tua constante pessoa tão fazendo-se notar em quase todas as situações, quer não...
Indiferente? No fundo, nunca. (Mas queria, tanto, conseguir sê-lo...! - Mesmo que só ao telefone... Era pedir muito?)

sexta-feira, 16 de março de 2007

E a seguir...?

"houve um dia alguém, alguém que me fez ver, que para se amar também para isso há-que saber... houve um dia uma voz que no seu tom fez esquecer passado tão atroz, tão longe está já sem se ver..."


Porque será que não podes ser simplesmente essa voz que me faz esquecer o passado, ao invés de mo lembrares com essa persistência tão característica? Pára de me assombrar com os fantasmas que fui criando aqui por dentro.... (Este labirinto de emoções!) Não sabes bem - ou de todo - o efeito que tens em mim... Não sabes o quão frágil sou, mesmo que não o pareça, que não o dê a entender... E daí!, talvez não o seja, mas e se o fôr? Estás lá para me apoiar se precisar de ti? Ou abres assim esta tal caixinha dos meus erros, dos meus defeitos, e com tanto que tento esquecer... Tudo bem com isso, mas e a seguir, afastas-te? É que eu nunca te vou pedir para ficar, e não sei se quero que fiques...Não sei o que quero, já sabes que não me conheço... O que te deixarei mais descobrir sobre mim? Por favor, não me magoes mais do que consigo suportar.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Fragilidades

Prende-me os braços, as pernas, o pescoço, deixa que me canse de olhar para ti, diz-me tudo o que tens a dizer e que chore à tua frente, dias e noites, deixa também que te diga o que me vai na alma, sem poder fugir, sem desculpas vãs ou barreiras mais e menos frágeis... Deixa que te grite e te insulte e espanca-me o coração de mármore... Não sei quem és, não tens face - mas isso não é importante - aproxima só de mim o teu peito firme, quente, para que deslize o meu nariz pelo tecido suave da tua camisola, e sorria enfim. Deixa que um dia me liberte... Prometo que um dia deixarei de ser este Eu.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Empatia

"Empatia é a faculdade de experimentar os sentimentos (...)de outra pessoa. (...)Adquire grande importância, do ponto de vista de compreensão do próximo, já que essa qualidade do sentimento humano diz respeito, predominantemente, ao inter-relacionamento pessoal(...)."

Assusta-me a tal transparência do meu olhar que mais ninguém vê, senão tu. O que posso e não posso dizer com ele, o que devo e não devo... O que quero e não quero, vezes demais.
Assusta-me a tua presença e a tua ausência, tal como a capacidade de adaptação do teu ao meu espírito controverso. Nunca sei que estás lá, mas (de alguma forma) estás.