segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Empatia

"Empatia é a faculdade de experimentar os sentimentos (...)de outra pessoa. (...)Adquire grande importância, do ponto de vista de compreensão do próximo, já que essa qualidade do sentimento humano diz respeito, predominantemente, ao inter-relacionamento pessoal(...)."

Assusta-me a tal transparência do meu olhar que mais ninguém vê, senão tu. O que posso e não posso dizer com ele, o que devo e não devo... O que quero e não quero, vezes demais.
Assusta-me a tua presença e a tua ausência, tal como a capacidade de adaptação do teu ao meu espírito controverso. Nunca sei que estás lá, mas (de alguma forma) estás.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Tanto que eu não te disse


Tocava-te a medo, estremecia ao teu toque, e tu nunca te apercebeste. Eu nunca to disse. Aceitava o teu carinho, o teu calor, o teu amor. Por breves instantes ter-te-ei amado, mas só o consegui dizer quando esse fogo ardente me deixou de consumir. Talvez por medo, talvez por saber já quão efémero seria. E nunca to confessei.
Desencontrava-me de ti, pelos caminhos incertos que íamos percorrendo, e construí certezas que desmoronavam as tuas insistentes questões, os teus sorrisos, a tua entrega quase total.
Nunca consegui fazer com que o compreendesses – Nunca o quis. Nunca achei que fosses capaz de me perceber na totalidade, portanto nunca me esforcei muito para que conseguisses ler-me como um livro aberto, nunca baixei as minhas defesas, ou deixei que me preenchesses a mente, jamais o coração.
Devias ter ouvido quando te gritei em silêncio que não me tentasses cativar... Devias ter lido o meu olhar, devias ter sentido o que não foi dito...
Entregaste-te em pleno e eu acabei por desprezar essa entrega tão total... Por esta incapacidade de fazer o mesmo, de partilhar contigo tantas coisas minhas, sobre mim. Incapaz de te mostrar a ti este meu lado mais fragilizado, no fundo talvez por achar que não o mereces, que não valerias a pena, ou talvez por achar que nunca ninguém valerá... (ou, por vezes, que nunca te mereceria eu a ti). A rotina tornou-se um acessório que me incomodava, que me confortava até a um ponto quase insuportável, os abraços e o enrodilhar das mãos asfixiava-me... Tirava-me o ar.
As tuas pequenas características, manias, feitios... Iam-se tornando mais evidentes, menos secundárias... E tu não parecias querer ver todos os meus defeitos - que por vezes me parecem nunca mais acabar. Quanto mais vias perfeição em mim, menos eu a vislumbrava, em nós. Queria gritar, bater, esmurrar, revoltar-me contra tudo isto... Tudo o que me passava pela cabeça... Contra ti, contra mim por ser como sou.
No fundo queria dizer-te tudo sem ter de o dizer. No fundo!, acobardei-me, acobardo-me ainda, mesmo agora que já não tenho nada a perder - Apenas o que sentes por mim - Mas não estará já isso também, perdido para ti, para mim? Para este "nós", já pertencente a um passado (ao que parece) tão distante? Sempre esperaste um dia por fim compreender o porquê da minha súbita frieza, da minha distância, dos sentimentos, das inúmeras omissões que desconheces. Mas nunca vais perceber... O porquê... Ou o tanto que eu não te disse...

Poeta do Dia: William Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança.
Começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começas a aceitar as tuas derrotas de cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de uma criança e não com a tristeza de um adulto.
E aprendes a construir as tuas estradas no hoje, porque o amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de se partir ao meio em vão.
Depois de algum tempo aprendes que não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te de vez em quando, e deves perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida.
Descobres que os amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos de mudar os amigos, se compreendermos que os amigos mudam.
E descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas;

Aprendes que as circunstâncias e o ambiente têm muita influência sobre nós, mas que não deixamos de ser responsáveis por nós próprios.
Aprendes que paciência requer muita prática.Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não dá o direito de seres cruel. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém.
Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em, algum momento, condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes.

E, finalmente, aprendes que o tempo, não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, planta o teu jardim e decora tua alma, ao invés de esperar que alguém te traga flores.

E percebes que... Realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida!
E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!"
Fotografia de António Manuel Pinto da Silva,

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Reflexos e provações

Fotografia por Alexandre P., «2 ways»
Vejo reflectido em ti um amor que senti apenas uma vez. Uma vez que parece tão distante...Tão incómoda, desnecessária, desperdiçada. O quanto não dava por a desperdiçar toda em ti... É irónica esta dôr que sinto agora, tão forte, tão sincera, tão triste. Esta dôr que troça de mim. Dói-me muito amar-te, especialmente porque sei que podia - Devia - amar-te muito mais, muito mais completamente. É irónico... Agora sou eu que sou responsável por ti, não é? Agora sou eu que não sei bem o que fazer, porque gosto tanto de ti...

Dói-me pensar como penso - Dói-me ter tão pouco controle no que sinto, ao fim e ao cabo já sabia isso, mas só contigo integrei na realidade essa noção. Uma impotência absoluta.

Não tenho palavras para ti, para mim. De justificação. Bem tento, mas não as encontro. Mas o problema é que... elas existem de facto; Eu é que não tenho a coragem para as dizer.

Talvez um dia, espero que breve, essa coragem chegue a mim como por magia. Porque tudo isto se torna pior a cada dia que passa, por muito que te ame, te queira amar, por muito que me ames e mo tentes provar... Tudo isso cai, desfalecido, aos pés do que sinto (que, apesar de já ser muito, não é nada, comparado com o que não consigo sentir...).

sábado, 18 de novembro de 2006

Poema do Dia - Ausência, por Vinicius de Moraes

Fotografia por Graça, « Feelings In The Emptiness»
"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Senta-te aqui

Olá, principezinho. Não me catives... Senta-te aqui, mas não me enchas de promessas vãs. Deixa que adivinhe o que penses, o que sentes, deixa-me sonhar sozinha enquanto olho a noite à nosssa volta, eterna, infindável. Deixa-me divagar pelos meus pensamentos, enquanto tu estás ao meu lado, sem me pegares na mão. Nunca me pegues na mão, principezinho, nunca me ames. Nunca peças um desejo a uma estrela. Se queres ficar, parte. Se queres partir, não venhas. E ficaremos ambos bem. Deixa que possamos sorrir ao ver o sol nascer uma vez mais, os reflexos do sol nos teus cabelos dourados, principezinho, e eu nunca mais consegui ver com o coração. Olho-te mas não te vejo, principezinho. Sei que também tu te vais embora. Então, não olhes para trás. Não voltes. E por favor, não me catives. O que restará de mim se me cativares? Quero tanto cativar-te a ti. Mas não, não posso... Porque sei - Por muito que goste de ti - que já não consigo ficar. Tenho medo de nunca mais conseguir ficar...

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

"Well I Think You're Crazy..."

. . . E o que fará isso de mim? O que fará isso de nós os dois?
Sim, loucos.
Loucos, talvez.
Mas claro que, a questão é... sê-lo-emos suficientemente?
Poderá essa loucura ser o nosso alimento,
A razão da nossa sobrevivência?
(Sempre tão tangente,
Sempre tão constante)
Será que em breve não pediremos um ao outro
Bem mais que o que estaríamos (sim, nós próprios)
dispostos a dar?
Loucos?
Quem sabe?,
Talvez, talvez...

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Quero Amar-te - Autor Desconhecido


"Quero amar-te de todas as formas
Quero amar-te por um segundo,

por um minuto, uma eternidade
Quero amar-te com um simples toque de mãos
Quero amar-te e tocar o teu corpo,

beijar os teus lábios,
sentir o teu respirar,
tal e qual uma bela sinfonia
Quero amar-te da forma mais sublime que possa haver,
tão delicada, tão sonhadora...
Quero amar-te em todas as estações,
em todas as situações, em todos os Invernos e Verões.
Quero amar-te no encontro dos corpos,

lábios,
mãos e pernas
Quero amar-te de uma forma intensa,

verdadeira, ingénua,
que até teria medo do que seria de mim se não pudesse amar-te
Quero amar-te como és, forte, decidido,

dono de si,
dono da situação
Quero amar-te sem pensar no futuro,

sem ter que me preocupar com o amanhã
Quero amar-te sem hora marcada,

sem data expressa,
sem lugar certo
Quero amar-te numa saudade qualquer,

num fogo que queima,
dilacera o meu peito,
faz-me sentir o teu dia e a tua noite,
o teu carinho.
Quero amar-te num momento inesquecível,

ser a constatação do valor que tens,
violar o impenetrável do teu ser
Quero amar-te de uma forma diferente, volúpia,

até certo ponto felina e infantil
Quero não ser uma coisa nova que apareceu no teu destino,
cicatrizar no teu coração e nunca mais sair dele.
Mas eu quero amar-te tanto que só me resta esperar por um milagre,

uma dádiva dos deuses,
que eles sejam complacentes com a minha dor…
Quero amar-te!"

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Intoxicação

Não cales essa pergunta que me queres fazer: intoxicas-me com o teu silêncio... Já te tinha dito? Mais que tudo o resto, odeio o silêncio. Mata-me aos poucos, sem ninguém o perceber. Mesmo eu. Por isso me escondo atrás de notas, pautas, ruídos inconstantes, por isso esta loucura atrás de sons e sensações... Porque o silêncio!, já me deu bem mais do que eu precisava, olhos encovados, sorrisos tristes, lágrimas que apareciam sem pedir, mãos tremelicando com nervos e aflições. Porque houve um dia em que o silêncio me roubou.... Ainda estou à espera que me traga de volta.
Fotografia por Augusto Peixoto, «Forgotten Melodies»

domingo, 15 de outubro de 2006

Poeta do Dia: Bocage

"Razão de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo...
Dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro"

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Quando tiveres saudades...

(um pequeno aparte...)
"Quando chorares ao escutar a nossa música,
não te arrependas...
Quando te arrependeres
por não teres escutado tudo o que tinha para te dizer,
não imagines.
Quando nos imaginares juntos novamente,
não acredites.
E quando finalmente acreditares
que o meu amor por ti era assim tão grande,
não voltes...
Eu não saberia perder-te de novo."

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Vem

A tua boca é um dia inteiro. Os teus lábios adoçam-me a alma, a carne. Quedados, os braços, imóveis, ao longo do corpo, lutam contra a absoluta impossibilidade de se conterem. Dia após dia. E dói. (E o sorriso que me pegas converte-se sem querer num esgar de tristeza, quando imagino um futuro tão convictamente soturno quanto o meu será, um dia).
Vem convencer-me com a luz, as estrelas, a lua cheia, vem encher-me de clichés e frases feitas. Vem - Porque preciso mesmo que venhas. Puxa-me as mãos e descola-me os braços do tronco, corre comigo por entre névoas e chapéus de sol e noites de trovoada, e salta e rola comigo por campos verdejantes, seguramente demasiado verdes e alegres.
Vem, nesta noite em que talvez te diga o que o meu coração cerrado nunca quis pronunciar... Nesta em que tudo parece possível, nesta que acabará depressa demais. Vem comigo adorar o silêncio que vai aumentando à nossa volta e nos envolve enquanto, segura, adormeço nos teus braços...
Fotografia por Graça, «Can't Take My Eyes Off You»

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Poema do Dia: Our Love Is Gonna Live Forever

"E se o nosso amor vivesse para sempre, que seria de nós então? Sabes como há no presente uma ânsia de um futuro imperscrutável que nos permite o sonho e a passagem diária das horas. Mas, e se soubéssemos que era para sempre,
que faríamos com ele?
Separar-nos-íamos desde já por sabermos que o sempre nos juntaria novamente?
Cada um para seu lado, então.
(...) É na separação que nos encontramos, meu amor.
Se o nosso amor fosse para sempre,
(...) o nosso amor terminava hoje como nunca."
Jorge Reis-Sá,

(a partir de uma música dos Spain)

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Cedo demais

Sinto-me feliz, contigo. Fazes-me sentir acarinhada, idolatrada até por vezes, a pessoa mais bela do mundo... Tenho medo que me eleves demasiado alto nesse teu pedestal, mas por outro lado!,
Quero-te tanto, de todas as formas!
Quero-te comigo, sempre - Mas encaro de frente a realidade de não te poder ter. De uma maneira calma, saudável.
Quero amar-te desenfreadamente, mas de alguma forma acredito que isso nunca irá suceder - Seremos sempre algo perseguidos pela natureza racional dos nossos instintos - se é que neles existe alguma - nunca levados por eles, sempre com uma réstea vã de lucidez por entre pensamentos aluados.
Até que ponto isso nos é útil? Não sei. Decerto impediu, até agora, o despedaçar inútil de corações tão frágeis como, digamos, o meu, e talvez também o teu, por muito camuflado que o mantenhas nessa couraça impenetrável (cada vez menos, cada vez menos). Mas será que vamos manter para sempre esta tal tranquila descontracção diante da possibilidade de inevitavelmente desmarcar compromissos, ou de partilhar o espaço com mais pessoas para além de nós dois? Eu acho tudo isso cada vez mais difícil, cada vez mais uma loucura crescente, que me impele, que me grita a agarrar-te de encontro a mim, de não te deixar ir embora - quando já se faz tarde e tens de ir, tens de ir sempre tão cedo.
Vais-te sempre cedo demais.
Fotografia de Ricardo Wiese Zacchi, «Flor»

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Poema do dia: Casa


"Se algum dia / por acaso

Eu voltar a rasgar a tua latitude neste planeta
Podes abocanhar-me
Caçar-me com os incisivos / balançar-me na boca

Não aceites as minhas desculpas / de nómada
Nem / acredites quando te disser que tudo o que tenho
Cabe dentro de uma mala

Começa por esconder-me os sapatos

Convence-me a destruir os mapas de viagem
E a engolir âncoras / pedras / uma morada
Com número na porta

Mesmo que o meu desassossego geográfico
(...) agite o metal dos talheres
Não hesites / Leva-me para tua casa

Prova-me que não tenho de apanhar o útlimo comboio da noite
Que incendeia a costa e que me ajuda / a fugir todas as madrugadas

Recebe-me nas zonas sem roupa / do teu corpo

Manobra-me a língua / Usa-me

Quando a tua carne já não precisar de mim
Amarra-me / cuida do meu sono temporário

Obriga-me a dizer-te aquilo que os meus dentes
Sem coração nunca autorizaram:

«Esta noite durmo contigo»." Hugo Gonçalves

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Estado de alma: Sem saber explicar

Fazes-me falta. Mas de uma forma estranha, nem sei explicar muito bem qual...
Sinto por vezes um formigueiro na cintura, nas mãos, nos ombros, como se sentisse ainda o teu toque já ausente, como se faltasse ali uma mão tua para me proteger, para eu me sentir totalmente segura.
Só me sinto bem quando estou contigo. Longe de ti, nem em relação a nós estou calma. Tudo me inquieta, tudo me tira o sono, quero dormir e tu não me deixas, e tu dormes algures sem mim. Analiso cada fala, cada comportamento teu à procura de algo que esteja errado.
Dentro de mim trava-se uma luta constante entre o meu pensamento lógico - que não viu até agora nada de errado ou de alarmante em ti, que me dá permissão para sorrir, para descansar, para recomeçar a ser feliz - e entre a minha parte fragilizada, que leva a minha imaginação a sítios que eu nem sabia existir, que me proíbe terminantemente de baixar as defesas por um momento, de relaxar, de encarar a mera possibilidade de... Em suma, do que quer que seja. Qualquer possibilidade, de todo.
Fazes-me tanta falta!, e eu pergunto-me se devia, se devias..... Se talvez não devesse ser fria e distante, por ti, por mim... Infelizmente, sobretudo por mim. Mas dia após dia, vou pensando menos em mim e mais em ti, atrevendo-me por vezes a pensar em nós.
Há algo em mim que sucumbe cada vez mais vezes a esses teus tantos atractivos quase imperceptíveis à primeira vista, ao teu olhar, aos teus abraços fortes, à tua masculinidade :P, a ti que me encantas (tanto!).
Continuo com medo de ti. Mas um medo quase agradável, que desaparece quando estou contigo, mal te vejo à distância. Não quero saber o que é, não quero iludir-me a mim ou a ti - Mas é um facto que estou sempre bem quando estou contigo. Que me fazes querer mais e mais disto que temos vivido, que o tempo pare. Ou que volte para trás, para poder reviver uma e outra vez o que passámos juntos.
Mas não me quero (não me posso) deixar levar por isto tudo que me fazes sentir. Quero ir com calma, com racionalidade, mas será que sou capaz? (Será que quero mesmo?) Ou trata-se apenas de uma questão de segurança? E se eu esquecer a segurança e me lançar, será que me agarras? O problema... É que duvido que consiga algum dia pedir-to... "Agarra-me esta noite..." Talvez, talvez...

domingo, 20 de agosto de 2006

Agora já é tarde

fotografia por Sérgio Rodrigo «para onde me levas»
Agora já é tarde... Agora já não posso voltar atrás. Agora gosto de ti. Agora já é tarde, bem tento mas já não consigo... (Será assim tão errado tentar não gostar de ti? Fazer de conta que não me escuto? Não me quero escutar, não quero saber, não quero confiar em mim. Mas agora não posso mais. Agora já é tarde e as barreiras desfalecem...Fico eu. Exposta. Vulnerável. Não me magoes) Não consigo não gostar assim tanto de ti. Agora já é tarde demais para voltar atrás com as promessas que fiz a mim própria, é tarde e eu ainda acho que é cedo demais. Agora estás na minha cabeça, agora continuo insegura em relação a tudo e todos, especialmente em relação a ti, agora... Sinto a tua falta. Agora (E como sempre) não sei bem o que faço, não sei bem como lidar com tudo isto que sinto, comigo, com a vida, com o que vamos partilhando aos poucos. Mas agora sinto-me bem. Agora já é tarde... E eu sinceramente não quero saber!

domingo, 6 de agosto de 2006

Certezas

E ontem soube! Não sei o quê, mas soube alguma coisa. Sabes, quando falámos sobre certezas? Eu pensei: Não quero certezas. Certezas doem demais. E não quero magoar-me. Não te quero magoar. De uma maneira definitiva fechei a questão «Não quero saber nada», apesar de não to ter dito. Mas quando soube, ontem, apesar de não saber bem o quê, soube-me tão bem!
As certezas são das coisas mais mortíferas que existem. Se eu tiver a certeza que não vou cair, largo a balustrada, abro os braços e beijo o vento que me bate na fronte. E se eu estiver errada caio. E valerá a pena esse momento de felicidade? Já me mostraram que não. Não, devido à dor crescente, ao pânico, à tortuosa tristeza. Mas tu fazes-me acreditar que sim. Fazes-me querer mais e mais esse momento de liberdade cega, em que me abraças e ali ficamos... Agarrados às certezas que vamos construindo...Aos poucos... Pedaço a pedaço...
Só quero apoiar a minha cabeça no teu ombro, aconchegar-me em ti e deixar-me ficar. Assim, naqueles momentos tão próximos da perfeição. E gostava de ter a certeza que haverá uma próxima vez, que tu não desaparecerás sem dizer nada, sem uma palavra, um aviso. Não consigo. Achas que me consegues prometer isso? Será que eu quero que me prometas isso? Acho que já não acredito em promessas... Não, sei que não acredito em promessas. Mas não conseguirei nunca estar plenamente contigo sem tudo isso: Sem certezas, promessas, talvez um dia tivesse sido capaz, mas não agora. Não assim. Não contigo. Vais tendo uma importância crescente na minha vida, em mim. Mas tenho tanto medo! Abraça-me, beija-me a testa e diz-me que está tudo bem... Deixa que me derreta enquanto passas as tuas mãos pelos meus ombros. Deixa que me perca em ti... E por enquanto... (Penso que concordas comigo, por muito que apeteça - Ou não) Não façamos promessas. Dói muito, dói demais. Ajuda-me primeiro a esquecer a dor, ajuda-me a conhecer-te melhor, a gostar cada vez mais (e alarmamente depressa) de ti.
Percorramos esse maldito tempo e a uma determinada altura saberei exactamente o que fazer com a primeira certeza que tive relação a ti, a de ontem. Por enquanto guardo essa certeza aqui, comigo, a primeira amarra a cair, a primeira ferida de muitas a sarar, juntamente com o que senti - senti-me feliz. Sempre que estou contigo, sinto-me verdadeiramente feliz, o que não acontecia há algum tempo. E agora o que faço com esta felicidade? Posso partilhá-la contigo? =)

domingo, 23 de julho de 2006

Agora (ou o mito do "nunca mais")

Achei que eras tu "o tal". Que depois de ti, nunca mais sentiria algo remotamente parecido. Claro que essa ideia deixa alguém entregue ao desespero. Ora, vejamos: Nunca mais sentir. Seja prazer, alegria, amor. O estremecer do beijo desmoronar-se aos poucos, ser apenas um acto banal, até ficar finalmente reduzido a nada. Um acto casual. Um beijo não ser mais que um beijo... Nunca mais.
Hoje sei que as coisas não são bem assim.
Sim, contigo soube que havia algo mais. Que tinha estado certa este tempo todo. Mas não sabia - alguém me ensinou há pouco tempo - que esse "algo mais" existe não apenas numa pessoa, mas em várias. Há quem passe vidas inteiras a fugir dessas pessoas... Por múltiplas razões. Por medo. Isso descobri-o com o tal alguém.
Ainda não sei se fuja ou não. Ainda não sei nada. Mas pretendo descobrir isso aos poucos. Graças também a ti, tenho muito medo. Graças a ti, dou dois passos e recuo um. Também não consigo confiar. Talvez não deva. Não sei. Tudo me diz que sim, mas ainda não estou pronta para atender a voz do coração, porque também tudo me dizia para confiar em ti. Concluí que o problema é não conseguir confiar em mim. Não sei se vou voltar alguma vez a conseguir.
Quero estar envolta nas teias do romance, no acelerar da pulsação, no palpitar inconstante das emoções. Com esse "alguém", que apenas por vezes me faz lembrar, mesmo que remotamente, a tua pessoa. Alguém de quem eu consiga gostar e que me marque ainda mais que tu. Que seja muito mais que tu alguma vez serias capaz de ser. Mereço isso.
Odeio-te profundamente e dou por mim a desejar que sejas absolutamente infeliz. Que nunca mais encontres um resto de felicidade, e que vivas uma longa vida. Que recebas o dobro, o triplo do que me deste, da dôr por que passei devido a ti. Para ti desejo o pior que possa haver. Talvez isso faça de mim uma péssima pessoa. Nunca seria pior que tu.
Agora vou tentar aproveitar esta oportunidade que surgiu de voltar a ser feliz, de voltar a sentir uma comunhão profunda com esse "alguém", de sentir algo maior do que eu. Agora vou espancar-te para fora deste músculo palpitante e vou preenchê-lo com risos, com alegria, talvez mais tarde com esta felicidade que me estão a oferecer quase de bandeja.
Agora, pelo menos um dia destes, muito próximo, passarás tu a ser um "alguém" na minha vida, minguando aos poucos até à destruição completa.
Agora vou tentar ser feliz - E isso assusta-me muito mais do que conseguirei algum dia admitir. Mas... Eu cá acho que é um objectivo tão viável como qualquer outro :) Não é?

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Sentimentos que não perdoam

Sinto-te aqui! Sempre!
Basta cheirar o ar, respirar fundo.
Basta sorrir, escrever, cantar, tocar
músicas que não me recordam de ti.
Estás em cada fímbria do meu ser,
em cada retalho de mim que caiu
de todas as vezes em que te achei esquecido.
Estás em tudo o que sou
e serei alguma vez, estás em tudo o que faço.
Vai-te embora. (Por favor vai-te embora)

terça-feira, 20 de junho de 2006

Fuga

Fotografia por Erik Reis, «Pela estrada fora»
Hoje, só quero fugir. Para bem longe daqui. Longe dos erros que cometi, de quem magoei, de quem me magoou a mim. Longe de tudo o que não fui. Tanto que não fui... Tanto que podia ter sido... Quero fugir de quem me ama, de quem me odeia - de quem não sabe bem o que sente. Não quero estar por aqui quando souberem finalmente. Sei que fugir nunca resolveu nada - E então? Se já tentei tudo o resto, e não sobrou grande coisa de mim?
Depois de fugir... Quero não ter de olhar para trás, cortar qualquer amarra, sentir que se desprendem de mim todas as correntes que trazia, caírem assim abandonadas no chão, não quero ser eu nunca mais. Quero conhecer-me como se fosse a primeira vez, o primeiro encontro, o primeiro beijo. Quero descobrir-me. Provavelmente para me desiludir de novo, para não esperar tanto de mim, para não antecipar já tanta decisão, cada erro, cada recaída. Para conseguir sonhar de novo com o coração aos pulos, sorrir com a chuva a bater-me na cara e correr pela estrada fora, simplesmente porque sim...
Diz-me, anjinho, se eu te pedir, foges comigo?

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Pronta para parar de sonhar a preto e branco (já era mais que tempo)

Tiago Phelipe «sonhos com cores»

Apaguei hoje (sim, infelizmente só hoje) as mensagens que me mandaste.
Não porque «teve de ser».
Não porque «não me mereces» (e de facto não mereces :P)
Apenas porque, de repente, não fazia sentido estarem ali.
Não fazia sentido estares aferroado tão profundamente a mim.
«Com licença, preciso do espaço que tens estado a ocupar... para mim»
E pela primeira vez isto parece-me absolutamente natural, razoável, acertado.
Pela primeira vez, vejo-te de uma forma totalmente diferente - muito menos marcante.
Descobri hoje - agora mesmo - que és igual a todos os outros.
E assim serás, a partir de agora.
Dentro de mim terás o mesmo espaço que reservo a tantas outras pessoas que conheci - nenhum, ou muito pouco.
Onde ficarás agora? Nestes textos.
Neste blog que acarinho, que me conforta, que me apoia de uma forma estranha sempre que eu preciso.
Ficarás aqui, mas só aqui. Em mais lado nenhum.
Talvez permaneça, ligeiramente, a tal "ideia" de ti, mas...
Penso que mesmo essa desapareceu, hoje.
Não sobreviveu ao tempo. Sem ti.
Mas eu, sim. Sobrevivi. Ultrapassei. Conseguirei muito mais. Tu és a prova disso.
Hoje, sinto-me forte.
Obrigada, priminha. O que seria eu sem ti? :)
(Também és o meu anjo, que vela algures por mim)
Custou (muito) mas resultou!

Exercício de respiração... Uma pausa nos estudos

Fotografia por Marta, só «sentir»
Inspiro,
Expiro,
Pensando que talvez assim se afaste a dor
Aquela que chega ao mesmo tempo que a tua memória
Esperando que assim consiga concentrar-me em mim
E no meu futuro
E na minha felicidade
E noutra pessoa qualquer - Que não tu
Inspiro,
Expiro,
Alguém me disse que o segredo está em ouvirmos a nossa própria respiração,
Tudo o que oiço é o eco suave das tuas palavras - Ou terão sido minhas?
Já não sei
Nada me traquiliza, eu sei
Inspiro,
Expiro,
Ainda não estou pronta - Mas tenho de estar
Quero tanto estar
Esquecer-me.
Esquecer-me definitivamente.
Recalcar tudo isto para o fundo do meu inconsciente
Para o âmago de algo que tenho em mim e que teima em trazer ao de cima tudo o que tem a ver contigo
Tu, que não me mereces.
Inspiro,
Expiro,
E sei que assim não vou a lado nenhum
Assim, em vez de memorizar Delacroix, Ingres, Goya, Fiissli
A minha memória quase rebenta pelas costuras
Estupidamente cheia
A abarrotar de ti.
Estou farta
Mais que farta
Enojada já pela ideia de ti
Saturada pelos sentimentos que já não me dou ao trabalho de definir há muito tempo
E durante muitos momentos odeio-te, talvez porque seja mais fácil
Mas mesmo assim é demasiado forte
Mesmo assim ocupa demasiado espaço
Demasiada importância
Demasiada tristeza
Inspiro,
Expiro,
E volto ao meu estudo
Já mais calma
Pronta a olhar para o futuro com outro olhar
Pronta a ser eu de novo,
Não apenas outro alguém que abandonaste sem olhar para trás
Não aprendi nada de ti - Apenas a não confiar
E que uma grande paixão vem sempre acompanhada de uma grande dor
(De uma forma bastante proporcional).
Inspiro, expiro. Não me ajuda muito. Mas o facto é que...
Quem poderá arranjar a ajuda necessária para mim, senão eu mesma?
(E nunca mais chegam as férias...)

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Poeta do Dia - Pedro Canais



Ameaça

"Um dia vais arrepender-te!

Vou fazer-me explodir em palavras diante de ti
E vamos morrer os dois cravados de sentidos."

segunda-feira, 5 de junho de 2006

(Só mais um) Dia Mau


Fotografia tirada por mim, hoje, «a menina dança?»
Dei-te tudo.
Tudo?
Não.
Dei-me. Isso sim. O mais que púde.
Preciso de mim e já não me tenho.
E vou ganhar-me de volta, seja como fôr.
Por mim.
Pelo que podia ter sido, para que o seja um dia
com outra pessoa.
Para que esse dia seja outro
e outro
e não termine...
Preciso de ti, principezinho,
Dança comigo,
Cativa-me,
E eu prometo que nunca te esquecerei
E a menina, dança?
(um dia mau como a m....)